Raizes Pentecostais

A escola dominical e a família: Uma parceria de proveito mútuo

A Escola Bíblica Dominical (EBD) é uma oportunidade única de estudar a Bíblia, aplicando-a à vida pessoal e com uma mensagem adequada a cada faixa etária. É, por isso, um instrumento de crescimento espiritual para toda a família. Os filhos precisam de alimento espiritual, têm de ser ensinados nos caminhos do Senhor e instruídos no caráter cristão; precisam aprender que toda a vida deve estar centrada em Deus, e os pais têm um papel importantíssimo no acompanhamento da vida espiritual dos filhos. Família e EBD têm uma meta em comum: formar cristãos maduros e produtivos para honrar e servir a Deus. Esse fato tece laços profundos entre as duas instituições, favorecendo a troca de informações e ajuda mútua.

 

Atualmente, a família tem “terceirizado” para a EBD o encargo de ensinar aos seus filhos as verdades espirituais e acredita que os mestres transmitam valores morais e comportamentais, alegando que os pais trabalham cada vez mais e não têm tempo para zelar dos filhos. A família, contudo, não pode fugir a esta responsabilidade, pois Deus delegou aos pais a tarefa de ensinar aos filhos a Sua Palavra (Dt 6.6,7; Sl 78.5). Portanto, é uma obrigação, e não uma opção, dos pais darem aos filhos a instrução e a disciplina condizente com a formação cristã (Ef 6.4). Os pais devem ser exemplos de vida e conduta cristãs, e se importar mais com a vida espiritual dos filhos do que apenas com seu emprego, profissão, trabalho na Igreja ou posição social; não que estes sejam menos importantes, mas é preciso reconhecer-se a importância da formação do caráter dos filhos durante toda a vida destes. Uma conduta genuinamente cristã reflete na constituição de um caráter coeso com os padrões de moralidade, mesmo que esses padrões sofram alterações ao longo do tempo. A família deve, então, cooperar com a EBD na instrução de seus pequenos, numa interação abençoada e abençoadora.

 

Funções da família nesta interação:

  1. Estímulo – Cabe aos pais estimular os filhos a frequentarem a EBD, e a melhor maneira de fazer isto é dando o exemplo (Fp 4.9). A criança que acompanha os pais à EBD desde pequena será estimulada a continuar quando crescer (Pv 22.6). Os pais que não vão à EBD cometem duplo erro: deixam de progredir como deveriam na vida cristã e deixam de dar o exemplo a seus filhos. Se os pais faltam ou se atrasam, os filhos os acompanham, geralmente. Por isso, devem esforçar-se para ser pontuais e frequentes na EBD.
  2. Valorização – Os pais ensinam os filhos a valorizar a leitura e o estudo da Bíblia, a respeitar seus professores e colegas e a fazer, durante a semana, a preparação para as aulas. Os pais devem interessar-se pelo que os seus filhos estudaram, o que aprenderam, o que mais gostaram. Devem ajudar seus filhos durante a semana, nas leituras da Bíblia, no estudo da lição, na aprendizagem dos versículos e nas tarefas de aplicação bíblica, bem como ensinar os seus filhos a orarem pelos professores da EBD e a ter amor pela igreja. Os pais devem considerar a EBD como uma escola importante para o desenvolvimento espiritual e moral dos seus filhos, assim como valorizam o bom empenho nos estudos seculares dos seus filhos.

 

O segredo de uma EBD dinâmica e eficaz depende, e muito, do aluno. O aluno dedicado, assíduo, pontual, responsável vai à EBD com prazer e não simplesmente para “marcar o ponto” ou rever os amigos. Ele faz a lição de casa, lê a Bíblia e sua revista, anota suas dúvidas e vem disposto a colaborar seriamente na sala de aula. É lamentável quando o aluno vai à Escola Dominical sem ter estudado durante a semana, sem sua Bíblia e/ou sem revista. O que dizemos do aluno que vai à escola sem levar livros ou caderno? Em contrapartida, o que dizer do aluno que pesquisa em casa sobre o assunto estudado em sala de aula, complementando seu estudo? De uma coisa precisamos estar cientes: muito do bom desempenho do professor numa sala de aula depende de seus alunos. Quando o aluno não se prepara em casa, conforme já mencionamos acima, ele perde a oportunidade de contribuir com algo mais. Contribuindo, ganha a classe e o professor também. Muitos dos alunos que ficam calados durante a exposição do professor cometem o erro (para não dizer “pecado”) da negligência semanal, e os pais podem estimular seus filhos a serem melhores alunos.

 

A contribuição dos pais na educação cristã dos filhos deve ser inabalável e consciente. Vida familiar e vida escolar são simultâneas e complementares. É importante que pais e professores, filhos e alunos compartilhem conhecimentos, alcancem e trabalhem os assuntos envolvidos no seu dia a dia, pois a família é o espaço adequado para se viver os valores aprendidos na EBD. A potência da ação normalizadora da escola sobre crianças e adolescentes é maior quando respaldada pela experiência e aceitação da família. Geralmente, as crianças não apreciam levantar cedo para ir à EBD. Boa parte delas já faz isso durante a semana. Porém, os pais devem ensinar aos filhos que a escola de domingo é muito especial. Erra o pai ou a mãe que acha que não deve levar sua criança à EBD apenas porque ela está cansada por estudar durante a semana, ou porque brincou demais no sábado ou foi dormir tarde por causa daquela festa na igreja. Esse é um tipo de compaixão que não edifica. É nessa hora que os pais, amigavelmente, devem mostrar aos filhos que a EBD é importante para toda a família.

 

Funções da escola nesta interação com a família

  1. Conteúdo – A EBD provê o conteúdo que será ensinado, a grade disciplinar adequada a cada faixa etária, os materiais de apoio etc. Ela define os objetivos e a filosofia educacional: o que queremos alcançar com este ensino e por quê.
  2. Método – Cabe também à escola determinar o método de ensino/aprendizagem a ser utilizado em sala de aula, para melhor absorção dos conteúdos. Para isso, os professores precisam ser constantemente orientados e estimulados a se aperfeiçoarem no seu trabalho.

 

É, portanto, na escola que se pensa sobre o que pode ser ensinado às crianças, sobre o método que pode tornar mais lógica a ação do conjunto docente e como a EBD poderá encontrar saídas legítimas à superação dos enigmas morais e éticos que assolam o seu dia a dia, pela aplicação da Palavra de Deus.

 

Contribuições da EBD para a Família

  1. Ensino transformador – A EBD leva aos seus alunos o ensino da Palavra de maneira eficiente, a fim de conduzi-los ao conhecimento da verdade e a experiências reais com Deus. Promove uma educação de aplicação transformadora, viva, não apenas teórica, pois está carregada de realidade e senso prático, que visa levar os alunos a uma mudança de comportamento para uma vida de temor, santidade e serviço cristão. A família é um lugar de aplicação e vivência do ensino da EBD.
  2. Desenvolvimento de amizades – A EBD é o espaço mais propício ao desenvolvimento de amizade e companheirismo cristãos, pois reúne os seus alunos conforme a faixa etária e propicia a interação entre eles. Existe uma classe para cada idade, e a família toda pode receber o conteúdo adequado para sua formação cristã. Alguns adolescentes se afastam do evangelho porque viram seus amigos de infância se distanciarem da fé. Daí a necessidade de incentivar as crianças a se entrosarem com outros coleguinhas da igreja. Essa troca fortalece a vida espiritual delas. Muitos pais saem da igreja correndo para casa e se esquecem de que os filhos precisam desenvolver essas amizades. Além disso, os pais precisam mostrar a alegria de estar na igreja para os filhos desejarem permanecer mais tempo ali.
  3. Ensino continuado – Há uma enorme e crescente necessidade de genuíno e sadio alimento espiritual que só pode ser obtido pelo estudo claro, metódico, continuado e progressivo da Palavra de Deus. A EBD é a própria igreja crescendo e desenvolvendo-se através do estudo da Palavra de Deus. Na EBD, homens, mulheres, jovens, adolescentes e crianças adquirem uma fé mais robusta e madura e, assim, estarão continuamente sendo preparados para desempenharem suas atividades na obra de Deus e a desenvolver a espiritualidade e o caráter cristão.
  4. Evangelização – A EBD é um dos meios de evangelização que a igreja possui, ou seja, pode-se evangelizar na EBD e através dela. Além disso, nela o crente aprende a amar e cooperar com a obra missionária. É o ambiente propício para que a família traga convidados não cristãos para aprenderem a Palavra de Deus. A igreja pode ajudar criando uma classe de alunos não crentes, realizando feira missionária etc.
  5. Descoberta de talentos – A EBD é o lugar para a descoberta, motivação e treinamento de novos talentos. Ali as crianças e adolescentes podem envolver-se em tarefas edificantes e, assim, desenvolver seus diversos talentos: musicais, teatrais, organizacionais etc. Grande parte dos adolescentes se afasta da fé porque não aprofundou suas habilidades na igreja.

 

Papel da família na educação cristã

Psicólogos, educadores, pais e pastores concordam em um ponto: a formação do caráter começa na infância. “Até os sete anos, a criança está em formação da sua personalidade. A criança pequena é como uma esponja, pois absorve tudo o que lhe é ensinado. O que aprende nessa fase, ela vai levar para o resto da vida. Quanto mais cedo conviver com a ideia de Deus, certamente isso será apreendido de forma mais profunda”, explicou a psicóloga Elizabeth Pimentel, autora do livro “O Poder da Palavra dos Pais” (Editora Hagnos). Os pais são os primeiros educadores na vida dos filhos. Assim como os filhos aprendem a falar com os pais, também aprendem códigos de conduta, a viver com limites, a respeitar e serem respeitados, a amar a Deus acima de todas as coisas, a ter um coração grato, a amar ao próximo, a ler a Bíblia, a orar, a obedecer. O problema é que os pais muitas vezes não ensinam os filhos “no” caminho em que devem andar, mas ensinam “o” caminho em que devem andar, e os próprios pais andam por outro caminho (Pv 22.6). Crianças geralmente observam tudo e procuram verificar se aquilo que os pais dizem sobre religião e fé faz parte da experiência de vida deles. Se os pais estão dispostos a obedecer àquilo que ensinam, então são dignos de inteira confiança.

 

Cabe à igreja o papel de auxiliar e dar suporte à educação dos filhos de seus membros. Isto precisa ser realizado de forma criativa e contextualizada com o mundo atual, para atrair as crianças e os adolescentes às suas atividades e englobar os pais, para que eles tenham ciência do que seus filhos estão aprendendo na igreja e qual o papel destes na formação daqueles. A igreja deve conscientizar a família de que ela pode e deve complementar o ensino bíblico que a criança recebe na EBD, por meio de ações realizadas no âmbito do lar, como estas:

 

  1. Culto doméstico – A prática do culto doméstico promove a espiritualidade no lar. Vivemos em um mundo globalizado, onde a individualidade e o materialismo consumista ocupam a primazia no ambiente familiar; portanto, valores espirituais são importantes na vida familiar. A igreja deve estimular e promover o culto doméstico como prática frequente entre seus membros.
  2. Dia de consagração – Família que ora unida vence unida. Um dia de consagração familiar tem o propósito de unir a família na oração e no jejum. Este dia pode fazer parte do calendário da igreja.
  3. Desenvolvimento da leitura – Está mais do que comprovado que o indivíduo que lê frequentemente e com discernimento alcança amplos benefícios, entre eles uma maior compreensão das verdades espirituais. A leitura é um processo pelo qual chegamos a entender as ideias de outra pessoa. Isso é provavelmente a forma mais eficiente de aumentar o que sabemos acerca da realidade e de como viver melhor. A pessoa que aprendeu a ler bem não depende apenas de professores vivos para sua educação. O crescimento de sua mente, a beneficência de sua sabedoria e seu comportamento não estão associados ao fato de estar ou não em uma escola, pois quase todos os principais pensadores da história compartilharam sua sabedoria por escrito; em virtude de esses grandes livros estarem quase todos disponíveis para a compra em lojas ou empréstimo em bibliotecas, a pessoa que se treinou na leitura boa e ativa, que se preocupa em crescer em sabedoria, não depende exclusivamente de aulas com professores. Ao contrário, um bom leitor não está escravizado pela TV e internet. Este tal tem uma vida inteira de conhecimento à sua frente. É de máxima importância que os adolescentes e jovens parem de encher suas cabeças com o conteúdo superficial da TV e internet e comecem a formar o hábito da leitura ativa e frutífera. É uma decepção terrível que o aprendizado e o conhecimento mental estejam estritamente associados à escola. A boa leitura deve ser a vocação de uma vida inteira. A família deve esforçar-se para estimular seus membros à leitura da Bíblia, de bons livros evangélicos e de outros livros edificantes, muito úteis na formação de todos. A igreja pode ajudar promovendo gincanas de leitura bíblica, incentivando a formação de clubes de leitura, criando bibliotecas, etc.

 

Conclusão

A EBD tem proporcionado muitas contribuições à família evangélica, auxiliando-a para que possa tornar os lares verdadeiros ambientes de saúde física, espiritual, psicológica e social. A educação é um esforço conjugado entre a família, a escola e a igreja. O ensino aplicado e valorizado por todos guia a criança por toda a vida.

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