Raizes Pentecostais

A religião do homem

A Religião do Homem

“Então, a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.” (Gênesis 3.4,5)

Com o texto acima foi criada uma ideologia: o racionalismo, cuja codificação ocorreu com os iluministas do século XVIII. Segundo eles, não há uma revelação orientadora exterior emanada da divindade, mas tão somente a razão do próprio homem; ou seja, “sua cabeça é seu mestre”, e mais ninguém.

 

Ainda com o supracitado texto foi fundada por Satanás, naquele momento, a Religião do Homem, na qual é o homem, e não Deus, quem dita as regras e determina o que é certo e o que é errado. Meditemos no texto a seguir sobre as tristes consequências de nossos primeiros pais terem crido na falácia de Satanás.

EM PRIMEIRO LUGAR

Durante anos, tive dificuldade para compreender por que o simples fato de nossos primeiros pais terem se apoderado de um fruto do qual não deveriam comer trouxe tantos problemas para a humanidade. Depois, pela graça de Deus, compreendi que o caso foi muito além do simples ato de tomar um fruto.

 

O inimigo lançou no coração de nossos pais a maldita semente de tomarem o lugar de Deus: “Sereis como Deus”. O que mais os fascinou foi a ideia de que, por si mesmos, teriam a capacidade de conhecer, ou seja, de distinguir o bem e o mal. Eles próprios, independentemente de Deus, criariam suas próprias regras e determinariam o que é certo e o que é errado. Assim, ficariam livres de alguém superior que lhes determinasse o que deveriam ou não fazer.

 

Esse alvedrio, ou seja, esse arbítrio para decidir o que é certo e o que é errado, passaria a ser deles mesmos, e não do Criador.

 

A Bíblia Judaica, a Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB), a Bíblia do Peregrino e a Bíblia Viva ajudam-nos a compreender melhor Gênesis 3.5 ao traduzirem o texto da seguinte forma: “Vocês vão ficar sabendo distinguir o bem e o mal.”

EM SEGUNDO LUGAR

Nossos primeiros pais aceitaram essa infeliz proposta, pois tiveram o ego massageado: “Que bom! Nós mesmos dirigiremos nossas vidas; não precisamos que Deus nos oriente. Afinal, somos tão inteligentes quanto Ele”, pensaram.

 

Eles não negaram a existência de Deus; apenas quiseram ser independentes e soberanos para determinar os seus próprios conceitos. Deus, para eles (e para os seus descendentes de ontem e de hoje), deixaria de ser o Deus soberano, Senhor a quem o homem deveria adorar e de quem receberia a ordem moral que o faria discernir o que é certo (o bem) e o que é errado (o mal).

 

Nessa religião, o homem toma o lugar de Deus, dispensando a soberania e a sabedoria divinas. Isto é o humanismo (antropocentrismo): o homem no centro, em oposição ao teocentrismo, Deus no centro.

EM TERCEIRO LUGAR

Somente compreendendo os fatos acima podemos entender por que tamanha tragédia se abateu sobre a humanidade.

 

Jeremias, humildemente, reconheceu que o homem não tem condições de dirigir a si mesmo:

“Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu caminho; nem do homem que caminha o dirigir os seus passos.” (Jr 10.23)

Quando o homem decide por si mesmo o que é bom e o que é mau, está assumindo uma atribuição que não lhe pertence.

 

A Religião do Homem cresceu muito nos últimos tempos, mas, nos dias do patriarca Jó, essa congregação já era grande. Ela tinha uma oração em seus cultos, na qual dizia a Deus:

“…Retira-te de nós; porque não desejamos ter conhecimento dos teus caminhos.” (Jó 21.14)

Os próprios membros determinavam o que era certo e o que era errado.

EM QUARTO LUGAR

Observemos que a independência do homem em relação à soberania de Deus trouxe apenas consequências funestas.

 

Adão viveu muito (930 anos — Gn 5.5) e teve o desprazer de presenciar os resultados de ter desejado ser igual a Deus. Viu Caim, julgando estar certo, matar o inocente Abel (Gn 4.8). Presenciou também um de seus descendentes, tetraneto de Caim, chamado Lameque, instituir a poligamia (Gn 4.19). Soube ainda que esse mesmo Lameque se tornou um assassino incorrigível, matando pessoas por motivos fúteis (Gn 4.23).

 

Por desejar ser igual a Deus, Adão viu tudo dar errado: a terra passou a produzir espinhos e abrolhos (Gn 3.18); a dor e o sofrimento, até então desconhecidos, passaram a fazer parte do cotidiano humano (Gn 3.16); e, por fim, veio a sentença de morte (Gn 3.19).

CONCLUSÃO

Que lhe parece, prezado leitor? Pelo que vimos, não vale a pena ser senhor de si mesmo e viver independente de Deus. As Escrituras e a experiência humana têm demonstrado que é melhor ouvir a Palavra de Deus, que revela o que é bom (certo) e o que é mau (errado), e seguir o caminho por Ele estabelecido.

 

O melhor é fazer como o rei Davi, que orou:

“Sonda-me, ó Deus… vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (Sl 139.23,24) 

Convido-o a deixar a religião de Adão (humanismo, antropocentrismo) e aceitar a religião do teocentrismo, conforme recomenda São Tiago, irmão do Senhor:

“Sujeitai-vos, pois, a Deus.” (Tg 4.7)

É mais sábio, mais prudente e mais producente.

Soli Deo Gloria!

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