{"id":2551,"date":"2025-04-11T14:02:05","date_gmt":"2025-04-11T14:02:05","guid":{"rendered":"https:\/\/raizespentecostais.com.br\/?p=2551"},"modified":"2025-10-20T19:30:06","modified_gmt":"2025-10-20T19:30:06","slug":"entrevista-a-doutrina-do-espirito-santo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/raizespentecostais.com.br\/index.php\/entrevista-a-doutrina-do-espirito-santo\/","title":{"rendered":"Entrevista: A doutrina do Esp\u00edrito Santo"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-group is-content-justification-right is-nowrap is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-369f395c wp-block-group-is-layout-flex\">\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong><br><em>Pr. Jose Goncalves<\/em><\/strong> <sup data-fn=\"cbb998dc-228d-49ed-a8f2-76a7997dbf89\" class=\"fn\"><a href=\"#cbb998dc-228d-49ed-a8f2-76a7997dbf89\" id=\"cbb998dc-228d-49ed-a8f2-76a7997dbf89-link\">1<\/a><\/sup><br><em>Pastor da AD \u00c1gua Branca e Diretor do N\u00facleo da EETAD<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"375\" height=\"375\" data-id=\"2559\" src=\"https:\/\/raizespentecostais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/PR-JOSE@125x.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2559\" style=\"width:73px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/raizespentecostais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/PR-JOSE@125x.png 375w, https:\/\/raizespentecostais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/PR-JOSE@125x-300x300.png 300w, https:\/\/raizespentecostais.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/PR-JOSE@125x-150x150.png 150w\" sizes=\"(max-width: 375px) 100vw, 375px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:60px;width:0px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>1. Por que a B\u00edblia \u00e9 um livro essencialmente pneumatol\u00f3gico?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A B\u00edblia \u00e9 primeiramente um livro cristol\u00f3gico. O Esp\u00edrito d\u00e1 testemunho de Cristo: \u201cQuando, por\u00e9m, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Esp\u00edrito da verdade, que dele procede, esse dar\u00e1 testemunho de mim; e v\u00f3s tamb\u00e9m testemunhareis, porque estais comigo desde o princ\u00edpio\u201d (Jo 15.26). Jesus afirmou essa verdade quando mostrou que as Escrituras em sua totalidade falam a seu respeito: \u201cEnt\u00e3o, lhes disse Jesus: \u00d3 n\u00e9scios e tardos de cora\u00e7\u00e3o para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, n\u00e3o convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua gl\u00f3ria? E, come\u00e7ando por Mois\u00e9s, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras\u201d (Lc 24.25-27). N\u00e3o existe, portanto, pneumatologia sem cristologia. Qualquer pneumatologia que ignora a cristologia fatalmente acabar\u00e1 caindo em carismatismos, isto \u00e9, manifesta\u00e7\u00f5es que mant\u00e9m a apar\u00eancia de um mover do Esp\u00edrito de Deus, mas que na verdade n\u00e3o passam de falsifica\u00e7\u00f5es grosseiras, rebuscadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. Como a atua\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo no Antigo Testamento preparou o caminho para a vinda do Messias?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sendo as Escrituras um livro eminentemente cristol\u00f3gico, o seu testemunho necessariamente apontar\u00e1 para Cristo. Assim, vemos, portanto, como uma consci\u00eancia pneumatol\u00f3gica vai se formando na cultura hebraica. \u00c0 medida que a revela\u00e7\u00e3o de Deus avan\u00e7a ou progride, tamb\u00e9m a percep\u00e7\u00e3o acerca do Esp\u00edrito de Deus. Isso tem a ver com aquilo que os te\u00f3logos denominam de revela\u00e7\u00e3o progressiva, que culminar\u00e1 no Novo Testamento. Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel vermos uma compreens\u00e3o sobre o <em>Ruach<\/em> (Esp\u00edrito) de Deus de uma forma mais completa em determinados textos do Antigo Testamento do que em outros. Vamos exemplificar citando as atividades carism\u00e1ticas de dois profetas do s\u00e9culo IX a.C, Elias e Eliseu, conforme demonstrei em meu livro o \u201c<em>Carisma Prof\u00e9tico: o que diferencia o pentecostes b\u00edblico do pentecostalismo atual. No contexto dos profetas Elias e Eliseu<\/em>\u201d, por exemplo, conforme destaca Hildebrandt (2008, p. 192), a natureza singular e carism\u00e1tica dessas atividades torna o Esp\u00edrito de Deus vis\u00edvel nessas narrativas, embora nem sempre haja uma refer\u00eancia direta a Ele. Dessa forma, tanto Elias como o seu sucessor Eliseu s\u00e3o tidos como profetas notadamente carism\u00e1ticos ou, como pontua Stronstad (2018, p. 35), \u201cexcepcionais profetas carism\u00e1ticos\u201d. Leon Wood (1993, p. 90) destaca que a forte presen\u00e7a do Esp\u00edrito de Deus nas atividades desses dois profetas, por\u00e9m, as poucas refer\u00eancias diretas sobre a sua Pessoa e exist\u00eancia, \u00e9 hoje compreendida como sendo de natureza contextual. Dessa forma, Hildebrandt (2008, p. 196) justifica essa atua\u00e7\u00e3o \u201coculta\u201d do Esp\u00edrito dando-se em raz\u00e3o da tens\u00e3o resultante das pr\u00e1ticas ext\u00e1ticas dos profetas de Baal. Da mesma forma, Stronstad (2018, p. 19) destaca que ningu\u00e9m saberia, de fato, que esses profetas haviam sido carism\u00e1ticos se n\u00e3o fosse pela refer\u00eancia \u00e0 transfer\u00eancia do Esp\u00edrito Santo de Elias para Eliseu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. Qual \u00e9 a natureza da transi\u00e7\u00e3o pneumatol\u00f3gica entre o Antigo e o Novo Testamento, e como essa mudan\u00e7a se reflete na experi\u00eancia espiritual do povo de Deus?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa transi\u00e7\u00e3o \u00e9 mais bem compreendida a partir das palavras do ap\u00f3stolo Pedro, conforme Lucas registrou em seu livro, Atos dos Ap\u00f3stolos: \u201cMas isto \u00e9 o que foi dito pelo profeta Joel: E acontecer\u00e1 nos \u00faltimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Esp\u00edrito sobre toda a carne\u201d (At 2.16-17). Em outras palavras, na compreens\u00e3o do ap\u00f3stolo Pedro o \u201cisto\u201d que eles estavam presenciando, \u00e9 o derramamento do Esp\u00edrito no Pentecostes, era o \u201caquilo\u201d prometido nas Escrituras do Antigo Testamento. Em outras palavras, o derramamento do Esp\u00edrito no Pentecostes era o cumprimento da promessa feita por Deus no Antigo Testamento, conforme registrara Joel no cap\u00edtulo 2 e vers\u00edculo 28 de seu livro. Aquilo que fora uma promessa se tornara realidade. O Esp\u00edrito de Deus, que devido \u00e0 natureza imperfeita da Antiga Alian\u00e7a, operava sobre pessoas e classes espec\u00edficas, agora estava sendo derramado sobre toda a carne. De acordo com A. S. Copley, antigo te\u00f3logo pentecostal, somente depois de experimentar \u201cisto\u201d \u00e9 que eles poderiam responder \u00e0 pergunta: \u201cO que significa aquilo?\u201d (COPLEY, A. S. <em>This Is That<\/em>, p. 5, s\/d). Dessa forma, Lucas ensina a \u201catualiza\u00e7\u00e3o\u201d da atividade prof\u00e9tica do Antigo Pacto quando Ele \u00e9 revelado em toda a sua plenitude no Novo Pacto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4. Quais s\u00e3o os desafios para a compreens\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o da Doutrina do Esp\u00edrito Santo na vida do crente?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma tend\u00eancia que est\u00e1 se tornando uma pr\u00e1tica, a meu ver nociva entre os crist\u00e3os, \u00e9 a de <em>coisificar<\/em> o Esp\u00edrito Santo. Se o Esp\u00edrito \u00e9 despersonalizado, ent\u00e3o, Ele, a semelhan\u00e7a de qualquer objeto, pode ser possu\u00eddo ou usado. Isso \u00e9 um erro grav\u00edssimo. R. A. Torrey, famoso te\u00f3logo batista, conforme citado por J. W. Hjertstrom, detectou esse fato: \u201cSe pensarmos no Esp\u00edrito Santo apenas como uma influ\u00eancia ou uma for\u00e7a, devemos pensar em algo que devemos apropriar-nos para us\u00e1-lo; mas, se conseguirmos pensar no Esp\u00edrito Santo no sentido das Escrituras, ent\u00e3o devemos pensar em uma pessoa infinitamente elevada, que se apossar\u00e1 de n\u00f3s para usar-nos. (R. A. Torrey: <em>Frojd I Den Helige Ande<\/em>, 1906, p. 38). O desafio, portanto, \u00e9 continuar enxergando o Esp\u00edrito como Deus, o que de fato Ele \u00e9. Se n\u00e3o fizermos assim, acabaremos caindo no erro de alguns heresiarcas do II s\u00e9culo para quem o Esp\u00edrito Santo n\u00e3o passava de um \u201cneto de Deus, um tipo de criatura inferior e subalterna.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5. De que maneira o Esp\u00edrito Santo atua como agente na Revela\u00e7\u00e3o de Deus e na inspira\u00e7\u00e3o das Escrituras, e como isso molda a compreens\u00e3o do crente sobre a Palavra de Deus?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o ap\u00f3stolo Paulo, toda Escritura \u00e9 inspirada por Deus. O termo grego <em>theopneustos<\/em>, quer dizer: \u201csoprada por Deus\u201d. A Escritura, portanto, prov\u00e9m de Deus. \u00c9 o Esp\u00edrito de Deus quem a inspirou. Esse fato, mostra que a mente de Deus est\u00e1 nas Escrituras. H\u00e1, portanto, uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima entre a Palavra e o Esp\u00edrito. Logo, a compreens\u00e3o, portanto, das Escrituras por parte do crist\u00e3o, for\u00e7osamente, est\u00e1 condicionada \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o que o Esp\u00edrito traz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>6. Como a pneumatologia contribui para a unidade e diversidade teol\u00f3gica dentro do cristianismo, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s diferentes tradi\u00e7\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um fato sabido que ap\u00f3s o per\u00edodo apost\u00f3lico houve um \u201cesquecimento\u201d sobre o papel e atua\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo na igreja. Os grandes debates durante os tr\u00eas primeiros s\u00e9culos da patr\u00edstica giraram em torno de temas cristol\u00f3gicos. Nada ou quase nada sobre o Esp\u00edrito Santo. Nesse aspecto, a compreens\u00e3o teol\u00f3gica, que fora moldada por Agostinho de Hipona, era de que os dons haviam cessado. O entendimento era que a atua\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, tal qual se revelava no Novo Testamento havia se limitado ao per\u00edodo apost\u00f3lico. Esse entendimento tamb\u00e9m dominou o pensamento dos reformadores. \u00c9 bom destacar que sempre houve movimentos de reavivamentos e de entusiasmo religiosos. Contudo, isso acontecia quase sempre na periferia da f\u00e9, isto \u00e9, fora da igreja institucional ou oficial. Esses movimentos quase sempre eram ignorados, quando n\u00e3o, abafados. Foi assim com o montanismo, movimento de despertamento durante o II s\u00e9culo. Sem sombras de d\u00favidas, como demonstrou Alister McGrath em sua obra: <em>A Revolu\u00e7\u00e3o Protestante<\/em>, \u00e9 como o Movimento Pentecostal que as quest\u00f5es de natureza pneumatol\u00f3gicas ganham espa\u00e7o no contexto crist\u00e3o. Os pentecostais demonstraram que os dons espirituais s\u00e3o b\u00edblicos e devem fazer parte da experi\u00eancia cotidiana dos crist\u00e3os. Nesse aspecto, a contribui\u00e7\u00e3o dos pentecostais para a pneumatologia \u00e9 de uma relev\u00e2ncia inestim\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>7. De que maneira o Esp\u00edrito Santo age na ilumina\u00e7\u00e3o das Escrituras, incluindo o papel do testemunho interno, e como os crentes podem cultivar uma compreens\u00e3o mais profunda da Palavra de Deus?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>John Wyckoff em seu livro: <em>Logos and Pneuma: The Role of the Spirit in Biblical Interpretation<\/em>, destaca que o Esp\u00edrito Santo opera dentro da mente para fazer a mensagem da Escritura clara e intelig\u00edvel. Ele apresenta a verdade quando trabalha a dimens\u00e3o emotiva da psique de uma pessoa para mudar ou afetar a disposi\u00e7\u00e3o interior do cora\u00e7\u00e3o. Ele funciona em todos os n\u00edveis e em todas as esferas da personalidade humana, em entregar a verdade de Deus. Assim, o Esp\u00edrito Santo trabalha dentro da mente para tornar a mensagem da Escritura clara e intelig\u00edvel. Ele apresenta a verdade quando trabalha sobre a dimens\u00e3o emocional da psique de uma pessoa, de mudar ou afetar a disposi\u00e7\u00e3o interior do cora\u00e7\u00e3o. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>8. Existe um espantalho em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s, pentecostais. Como podemos combater esses espantalhos criados dos achismos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>William Menzies mostra que o Pentecostalismo cl\u00e1ssico se firmou em oito grandes pilares, um deles \u00e9 a Escrituras. A B\u00edblia sempre teve relev\u00e2ncia entre os pentecostais cl\u00e1ssicos. Aqui a experi\u00eancia \u00e9 mensurada pelas Escrituras. A experi\u00eancia tem o seu lugar, mas ela n\u00e3o se sobrep\u00f5e nem toma o lugar da B\u00edblia. Contudo, h\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o dentro do pentecostalismo que privilegia a oralidade. Nesse aspecto, a experi\u00eancia anda lado a lado com a B\u00edblia. Acredito que a compreens\u00e3o de James K. Smith (2010, p. 11), conforme demonstrei em meu livro: <em>A Glossolalia e a Forma\u00e7\u00e3o das Assembleias de Deus<\/em>, que v\u00ea o pentecostalismo como sendo uma \u201cespiritualidade\u201d e n\u00e3o uma doutrina ajuda na compreens\u00e3o desse paradoxo. Smith parte do princ\u00edpio do imagin\u00e1rio social, conforme exposto por Charles Taylor (2004), para explicar o fen\u00f4meno da espiritualidade pentecostal. Dessa forma, Taylor entende o \u201cimagin\u00e1rio social\u201d como algo muito mais vasto e profundo do que os esquemas intelectuais que as pessoas podem aceitar, quando pensam, de forma desinteressada, acerca da realidade social. Estou pensando, sobretudo, nos modos como imaginam a sua existencial social, como se acomodam umas \u00e0s outras, como as coisas passam-se entre elas e os seus cong\u00eaneres, as expecta\u00e7\u00f5es que normalmente se enfrentam, as no\u00e7\u00f5es e as imagens normativas mais profundas que subjazem a tais expecta\u00e7\u00f5es. (TAYLOR, Charles. <em>Imagin\u00e1rio Sociais<\/em>, 2004, p. 31) Em outra obra minha, eu disse que a teoria de Taylor, usada por Smith em rela\u00e7\u00e3o ao pentecostalismo, na verdade ajustava-se melhor ao \u201cneopentecostalismo\u201d. Isso porque o \u201cimagin\u00e1rio social\u201d, por exemplo, segundo Taylor (2004, p. 31), \u201capoia-se em imagens\u201d e \u201cnarrativas\u201d. Naquela ocasi\u00e3o, eu disse que essa an\u00e1lise aplica-se n\u00e3o a todo pentecostalismo ou pentecostalismo cl\u00e1ssico, mas ao pentecostalismo perif\u00e9rico ou neopentecostalismo. Como observou Romeiro (2005, p. 87), o \u201cneopentecostalismo n\u00e3o apresenta linha teol\u00f3gica pr\u00f3pria\u201d. Em outras palavras, n\u00e3o se expressa em termos te\u00f3ricos ou doutrin\u00e1rios, como destacou Smith e sugeriu Taylor (2005, p. 31). O seguimento reformado, quer formado por batistas, quer por presbiterianos, que se juntou ao pentecostalismo inicialmente, vinha de tradi\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas fortemente constru\u00eddas. Eles possu\u00edam uma doutrina em forma de credo. Todavia, o mesmo n\u00e3o se pode dizer dos movimentos de santidade radicais, que, na sua maioria, eram formados por pessoas \u00e1vidas de Deus, por\u00e9m sem uma educa\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica formal. Nesse aspecto, as suas cren\u00e7as ajustavam-se mais a uma espiritualidade do que a uma doutrina. O que se depreende de tudo isso \u00e9 que os pentecostais devem, sim, continuar sendo um povo do Esp\u00edrito, em que a experi\u00eancia tem seu lugar, sem, contudo, priorizar as Escrituras como regra de f\u00e9 e conduta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>9. Como o senhor explicaria a relev\u00e2ncia da Doutrina Pentecostal nos dias de hoje, \u00e0 luz das Escrituras?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De forma diametralmente oposta ao cessacionismo, o movimento pentecostal destaca a \u201cacessibilidade ao divino\u201d. Para Harvey Cox, pesquisador de Harvard, em sua obra <em>O Futuro da F\u00e9<\/em>, o pentecostalismo celebra o ressurgimento da \u201cespiritualidade primitiva\u201d e recusa-se que a experi\u00eancia de Deus fique limitada ao mundo rarefeito de ideias. Deus \u00e9 vivenciado e conhecido como uma realidade pessoal, transformadora e viva. Os pentecostais, portanto, acreditam que o encontro pessoal com Deus \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s do Esp\u00edrito Santo. Alister McGrath (<em>A Revolu\u00e7\u00e3o Protestante<\/em>, 2012, p.425) v\u00ea como positiva aquilo que denomina de \u201cre-sacraliza\u00e7\u00e3o\u201d da vida\u201d, pois, segundo ele, \u201cum Deus permanentemente ausente logo pode se tornar um Deus morto\u201d. Uma tradi\u00e7\u00e3o que dessacraliza o divino, seculariza a f\u00e9. Alister McGrath (201, p.422) denomina essa pr\u00e1tica protestante de \u201cconhecimento indireto de Deus\u201d. Ele destaca que a \u00eanfase do protestantismo tradicional no conhecimento indireto de Deus, isto \u00e9, onde n\u00e3o h\u00e1 lugar para um encontro pessoal e experimental com o sagrado levou a \u201cdessacraliza\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uma cultura sem senso nem expectativa de ter a presen\u00e7a de Deus em seu meio\u201d. Isso torna a teologia b\u00edblico-pentecostal relevante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>10. Quais s\u00e3o os principais elementos pneumatol\u00f3gicos que caracterizam o livro de Atos dos Ap\u00f3stolos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As quest\u00f5es teol\u00f3gicas do livro de Atos ser\u00e3o mais bem compreendidas se, primeiramente, tivermos um entendimento correto sobre que tipo de g\u00eanero liter\u00e1rio pertence essa obra can\u00f4nica. Isso nos remete a necessidade de uma compreens\u00e3o correta sobre o valor das narrativas no contexto das Escrituras. Como destaquei no meu livro: <em>O Carisma Prof\u00e9tico,<\/em> esses fatos destacam a relev\u00e2ncia das narrativas b\u00edblicas e demonstram a import\u00e2ncia teol\u00f3gica que elas carregam. \u00c9, portanto, correto dizer que \u00e9 poss\u00edvel encontrar conte\u00fado teol\u00f3gico nas narrativas b\u00edblicas de Atos ou, como prefere Grant Osborne (2009, p. 282), \u201cas narrativas b\u00edblicas cont\u00eam uma teologia\u201d. Nesse aspecto, William W. Klein observa que \u201cas narrativas dominam a paisagem b\u00edblica\u201d e \u201cfalam com poder a verdade de Deus quando corretamente interpretadas\u201d. Ainda de acordo com Klein, \u201ca narrativa quase sempre ensina mais indiretamente do que a literatura did\u00e1tica sem se tornar menos normativa\u201d. Assim, Grant Osborne op\u00f5e-se \u00e0queles que negam a dimens\u00e3o teol\u00f3gica das narrativas, e isso porque, segundo ele, \u201cignora as consequ\u00eancias da cr\u00edtica da reda\u00e7\u00e3o, que demonstrou que a narrativa b\u00edblica \u00e9 de fato teol\u00f3gica no seu cerne e procura guiar o leitor a reviver a verdade encapsulada na hist\u00f3ria\u201d. Stronstad (1984, p. 17) demonstra que enxergar as narrativas b\u00edblicas sob a perspectiva teol\u00f3gica e como um g\u00eanero liter\u00e1rio normativo para a igreja \u00e9 algo bem presente na literatura pentecostal. O historiador pentecostal Walter Hollenweger (1972) destacou o lugar proeminente que o g\u00eanero narrativo ocupa na hermen\u00eautica pentecostal. Segundo Hollenweger (1972, p. 321), para \u201cos pentecostais, os Atos dos Ap\u00f3stolos s\u00e3o considerados como um registro normativo da igreja primitiva\u201d. Nesse aspecto, os pentecostais entendem, como destacou I. Howard Marshall (1970, p. 52), que Lucas foi \u201cum te\u00f3logo que escreveu a hist\u00f3ria\u201d. Esse entendimento da hermen\u00eautica pentecostal, que enxerga prop\u00f3sito normativo nas narrativas de Atos, tamb\u00e9m \u00e9 aplicado ao contexto dos profetas. Dessa forma, por exemplo, quando quer ilustrar as manifesta\u00e7\u00f5es dos dons espirituais citados por Paulo em 1 Cor\u00edntios 12.8-10, o autor pentecostal Gordon Chown (1977, pp. 27,28) recorre \u00e0s narrativas sobre o profeta Eliseu. Assim tamb\u00e9m entende o pentecostal cl\u00e1ssico Donald Gee (1987, p. 50), quando enxerga o profeta Elias com exemplo not\u00e1vel do mesmo tipo de manifesta\u00e7\u00e3o espiritual de 1 Cor\u00edntios 12.8. Ele destaca, por exemplo, que o dom da f\u00e9, tamb\u00e9m chamado pelos antigos pentecostais de \u201cf\u00e9 para operar milagres\u201d, estava presente, como um dom espiritual na vida do profeta de Tisbe. \u00c9 ineg\u00e1vel, portanto, que o pentecostalismo, nas suas diferentes modalidades ou ondas, possui grande afinidade com os profetas b\u00edblicos. Como um movimento carism\u00e1tico, isto \u00e9, que p\u00f5e em relevo as atividades do Esp\u00edrito de Deus, o pentecostalismo v\u00ea nos carismas dos profetas esse elo identificador. Essa metodologia permite aos pentecostais ilustrar as a\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito Santo no Novo Testamento \u00e0 luz da narrativa sobre os profetas b\u00edblicos. Dessa forma, as narrativas das atividades carism\u00e1ticas, quer no contexto dos antigos profetas, quer no contexto dos Atos dos ap\u00f3stolos, revelando a\u00e7\u00f5es carism\u00e1ticas, cont\u00eam princ\u00edpios e pressupostos teol\u00f3gicos que s\u00e3o fundamentais para a teologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Como demonstrei em meu livro: <em>Lucas, o Evangelho de Jesus, o homem perfeito<\/em>, um erro bastante comum cometido por v\u00e1rios te\u00f3logos, principalmente aqueles que n\u00e3o creem na atualidade dos dons espirituais, \u00e9 tentar \u201cpaulinizar\u201d os escritos de Lucas. Por n\u00e3o entenderem o texto de Lucas, n\u00e3o o vendo como te\u00f3logo como de fato ele era, mas apenas como um historiador, tentam interpret\u00e1-lo \u00e0 luz dos escritos de Paulo. Evidentemente que toda Escritura \u00e9 inspirada por Deus e que o princ\u00edpio da analogia \u00e9 uma das ferramentas b\u00e1sicas da boa exegese, todavia isso n\u00e3o nos d\u00e1 o direito de transformar Lucas em mero coadjuvante do ap\u00f3stolo Paulo. Em outras palavras, Paulo deve ser usado para se compreender corretamente Lucas, e Lucas deve ser consultado para se quer entender, de fato, o que Paulo escreveu. Esse entendimento se torna mais ainda relevante quando aplicamos essa metodologia em rela\u00e7\u00e3o aos carismas do Esp\u00edrito narrado no terceiro Evangelho, em Atos dos Ap\u00f3stolos e nas ep\u00edstolas paulinas. Se Paulo foi um te\u00f3logo, possuindo independ\u00eancia para falar dos dons do Esp\u00edrito, Lucas da mesma forma tamb\u00e9m o foi e seu pensamento \u00e9 t\u00e3o relevante quanto o de Paulo. Nesse aspecto Lucas n\u00e3o deve ser entendido apenas como um narrador de fatos hist\u00f3ricos, mas como um te\u00f3logo que escreveu a hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse entendimento nos ajuda a enxergar o espectro teol\u00f3gico de Atos em toda a sua extens\u00e3o. Atos nos mostra a dimens\u00e3o capacitativa do Esp\u00edrito, isto \u00e9, o Esp\u00edrito no contexto da miss\u00e3o, capacitando os crentes. Por outro lado, sem contradizer Lucas, Paulo descreve o Esp\u00edrito a partir de sua habita\u00e7\u00e3o no crist\u00e3o. Paulo p\u00f5e em relevo a habita\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, Lucas a sua capacita\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>11. Qual seria o desafio principal que o senhor lan\u00e7aria aos crentes, incentivando-os a buscar continuamente a presen\u00e7a e orienta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo em suas vidas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O pentecostalismo brasileiro por ter uma forte influ\u00eancia escandinava tem suas ra\u00edzes na espiritualidade pietista. O movimento pietista enfatizava o apego \u00e0 B\u00edblia, a pr\u00e1tica da ora\u00e7\u00e3o e a vida em comunidade. A meu ver, quando a igreja tem essas pr\u00e1ticas esvaziadas, ela fatalmente se secularizar\u00e1. Na verdade, isso j\u00e1 vem acontecendo. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que presenciamos um enfraquecimento da experi\u00eancia pentecostal. A experi\u00eancia pentecostal n\u00e3o \u00e9 algo que acontece \u00e0 parte de um viver devocional forte. Foi a busca por uma vida piedosa, profunda, marca dessa espiritualidade, que fez eclodir o pentecostalismo. O avivamento que ocorreu entre os batistas suecos de Chicago, respons\u00e1vel pelas experi\u00eancias pentecostais de Gunnar Vingren e Daniel Berg, serve de exemplo. Tanto Vingren como Berg foram revestidos de poder no contexto da Segunda Igreja Batista Sueca de Chicago, pastoreada por J.W. Hjertstrom. Hjertstrom levantou uma campanha de ora\u00e7\u00e3o entre os anos de 1902 e 1906. Durante um per\u00edodo de quatro anos ele e sua igreja oravam todas as segundas-feiras a noite toda. Em fevereiro de 1906, portanto, dois meses antes do famoso avivamento da Rua Azusa, irrompeu o derramamento do Esp\u00edrito naquela igreja. O desafio para n\u00f3s, portanto, \u00e9 manter a igreja viva atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o, comunh\u00e3o e instru\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da B\u00edblia.<\/p>\n\n\n\n<p>__________<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes has-small-font-size\"><li id=\"cbb998dc-228d-49ed-a8f2-76a7997dbf89\">Pastor da Assembleia de Deus em \u00c1gua Branca, Piau\u00ed; graduado em Teologia e em Filosofia. Articulista, escritor e conferencista. \u00c9 presidente do Conselho de Doutrina da Conven\u00e7\u00e3o Estadual das Assembleias de Deus no Piau\u00ed e vice-presidente da Comiss\u00e3o de Apolog\u00e9tica da CGADB; e \u00e9 Diretor do N\u00facleo da EETAD instalado na igreja que preside. <a href=\"#cbb998dc-228d-49ed-a8f2-76a7997dbf89-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pr. Jose Goncalves Pastor da AD \u00c1gua Branca e Diretor do N\u00facleo da EETAD 1. 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