{"id":4368,"date":"2026-10-01T16:20:13","date_gmt":"2026-10-01T16:20:13","guid":{"rendered":"https:\/\/raizespentecostais.com.br\/?p=4368"},"modified":"2026-10-01T18:39:11","modified_gmt":"2026-10-01T18:39:11","slug":"atos-2-4-a-historia-do-texto-que-ensinou-os-pentecostais-a-esperar-o-espirito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/raizespentecostais.com.br\/index.php\/atos-2-4-a-historia-do-texto-que-ensinou-os-pentecostais-a-esperar-o-espirito\/","title":{"rendered":"Atos 2.4: a hist\u00f3ria do texto que ensinou os pentecostais a esperar o Esp\u00edrito"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"4368\" class=\"elementor elementor-4368\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-0fba0a1 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"0fba0a1\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-90a9e2b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"90a9e2b\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>H\u00e1 textos b\u00edblicos que n\u00e3o permanecem apenas na p\u00e1gina. Eles atravessam cultos, vig\u00edlias, hinos, l\u00e1grimas, serm\u00f5es, imagens, calend\u00e1rios e testemunhos. Tornam-se linguagem de uma f\u00e9 experienciada \u2014 e, por isso, amada. Atos 2.4 \u00e9 um desses textos. Para a tradi\u00e7\u00e3o pentecostal cl\u00e1ssica, ele n\u00e3o \u00e9 apenas o registro de um acontecimento antigo em Jerusal\u00e9m; \u00e9 mem\u00f3ria viva, \u201caqui e agora\u201d, promessa atual e chave para compreender a experi\u00eancia crist\u00e3 como encontro real com o Esp\u00edrito Santo.<br \/>Este artigo \u00e9 um ensaio sobre a hist\u00f3ria dos usos de Atos 2.4. N\u00e3o pretendemos contar apenas a hist\u00f3ria de Pentecostes como evento, mas acompanhar a trajet\u00f3ria de um vers\u00edculo: como ele foi citado, lembrado, celebrado, sentido, deslocado, regulado e reativado em diferentes conjunturas crist\u00e3s. Todo texto tem uma recep\u00e7\u00e3o; e toda recep\u00e7\u00e3o acontece em comunidades que pensam, temem, esperam, cantam, disputam e sentem. Por isso, lemos Atos 2.4 em di\u00e1logo com a hist\u00f3ria da recep\u00e7\u00e3o b\u00edblica e com a hist\u00f3ria das sensibilidades: os crist\u00e3os n\u00e3o apenas interpretaram esse texto; aprenderam tamb\u00e9m a senti-lo de modos diversos.<br \/>O texto diz: \u201cE todos foram cheios do Esp\u00edrito Santo e come\u00e7aram a falar noutras l\u00ednguas, conforme o Esp\u00edrito Santo lhes concedia que falassem\u201d (At 2.4). Na narrativa lucana, esse vers\u00edculo \u00e9 precedido por uma promessa: \u201crecebereis a virtude do Esp\u00edrito Santo [&#8230;] e ser-me-eis testemunhas\u201d (At 1.8). Depois dele, h\u00e1 proclama\u00e7\u00e3o p\u00fablica, espanto das multid\u00f5es, prega\u00e7\u00e3o de Pedro e convers\u00e3o. Pentecostes n\u00e3o \u00e9 experi\u00eancia fechada em si mesma. \u00c9 o momento em que o Esp\u00edrito transforma espera em miss\u00e3o, medo em ousadia, recolhimento em testemunho. Robert P. Menzies interpreta o dom do Esp\u00edrito em Lucas-Atos como \u201ccapacita\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica e mission\u00e1ria, distinta da regenera\u00e7\u00e3o\u201d (MENZIES, 2016).<br \/>Mas a pergunta aqui n\u00e3o \u00e9 apenas: \u201co que Atos 2.4 significa?\u201d. A quest\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m: como Atos 2.4 foi usado? Em que ambientes esse texto foi ouvido, cantado, pregado, celebrado, pintado, controlado ou desejado? Durante s\u00e9culos, a B\u00edblia foi mais ouvida do que lida silenciosamente. Textos b\u00edblicos circularam na leitura p\u00fablica, na homilia, na liturgia, na mem\u00f3ria oral, na arte, nos objetos devocionais e nos ritos. Logo, a recep\u00e7\u00e3o de Atos 2.4 n\u00e3o deve ser buscada apenas em coment\u00e1rios escritos, mas tamb\u00e9m nas formas sens\u00edveis pelas quais sua linguagem \u2014 Esp\u00edrito, plenitude, l\u00ednguas, voz e miss\u00e3o \u2014 foi incorporada \u00e0 vida crist\u00e3.<br \/>Na Igreja antiga, \u00e9 prov\u00e1vel que Atos 2.4 tenha sido recebido sobretudo como texto eclesiol\u00f3gico e mission\u00e1rio. Pentecostes era lembrado como nascimento p\u00fablico da Igreja e sinal de que o Evangelho se destinava a todos os povos. Nesse primeiro horizonte, a \u00eanfase n\u00e3o reca\u00eda sobre a formula\u00e7\u00e3o moderna da evid\u00eancia inicial, mas sobre a universalidade da miss\u00e3o. O falar em l\u00ednguas n\u00e3o parece ter sido, de in\u00edcio, um problema doutrin\u00e1rio not\u00e1vel, mas um sinal da irrup\u00e7\u00e3o p\u00fablica do Esp\u00edrito na expans\u00e3o do testemunho crist\u00e3o.<br \/>Uma das mais antigas men\u00e7\u00f5es p\u00f3s-neotestament\u00e1rias ao falar em outras l\u00ednguas encontra-se em Irineu de Li\u00e3o (c. 130\u2013c. 202). Por volta de 180 d.C., em Contra as heresias, ele relata que muitos irm\u00e3os possu\u00edam dons prof\u00e9ticos e, \u201cpor meio do Esp\u00edrito, falam todas as esp\u00e9cies de l\u00ednguas\u201d (IRINEU DE LI\u00c3O, Contra as heresias, V, 6, 1). Isso n\u00e3o prova uma leitura pentecostal moderna de Atos 2.4, mas mostra que a mem\u00f3ria das l\u00ednguas e dos carismas continuava ativa na vida crist\u00e3 do s\u00e9culo II. A gram\u00e1tica do texto lucano \u2014 Esp\u00edrito, fala inspirada, diversidade de l\u00ednguas e capacita\u00e7\u00e3o \u2014 ainda circulava como linguagem viva da experi\u00eancia eclesial.<br \/>Tamb\u00e9m seria equivocado imaginar que os Pais nada disseram sobre a experi\u00eancia carism\u00e1tica. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo (c. 349\u2013407), ao comentar 1 Cor\u00edntios 12.2, reconheceu que a passagem era obscura justamente porque certas manifesta\u00e7\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o ocorriam como antes. E explicou: \u201cSe algu\u00e9m era batizado, imediatamente falava em l\u00ednguas e n\u00e3o apenas em l\u00ednguas, mas tamb\u00e9m muitos profetizavam e outros manifestavam diversos carismas\u201d (CRIS\u00d3STOMO, 2010, coment\u00e1rio a 1Co 12.2). O testemunho \u00e9 precioso. Cris\u00f3stomo n\u00e3o era pentecostal \u2014 seria um pecado historiogr\u00e1fico vesti-lo com terno assembleiano \u2014, mas reconhecia uma mem\u00f3ria antiga na qual batismo, Esp\u00edrito, l\u00ednguas, profecia e carismas estavam associados.<br \/>Nesse ponto, conv\u00e9m evitar a pressa, velha inimiga da boa hist\u00f3ria e da m\u00e1 prega\u00e7\u00e3o. Inspirando-nos numa cautela cara \u00e0 hist\u00f3ria social, n\u00e3o se deve confundir sil\u00eancio documental com inexist\u00eancia hist\u00f3rica (CHALHOUB, 1990). Nem tudo o que foi vivido foi escrito; nem tudo o que foi escrito foi preservado; nem tudo o que foi preservado foi considerado digno de mem\u00f3ria oficial. Em outras palavras: a aus\u00eancia de registros abundantes sobre l\u00ednguas n\u00e3o autoriza concluir, sem mais, que a experi\u00eancia desapareceu.<br \/>Craig S. Keener oferece uma advert\u00eancia metodol\u00f3gica importante. Ao tratar da recep\u00e7\u00e3o de Atos, reconhece o valor das vozes patr\u00edsticas e medievais, mas lembra que elas tamb\u00e9m eram historicamente condicionadas. Os Pais estavam mais pr\u00f3ximos de Lucas em l\u00edngua e cultura do que n\u00f3s, mas n\u00e3o interpretavam Atos a partir do mesmo cen\u00e1rio do s\u00e9culo I. Suas leituras foram atravessadas por novas disputas contra heresias, pela Segunda Sof\u00edstica, pelo platonismo m\u00e9dio, por tend\u00eancias asc\u00e9ticas, por vieses antijudaicos e androc\u00eantricos, pela diminui\u00e7\u00e3o da sensibilidade ao contexto judaico primitivo e pela evolu\u00e7\u00e3o dos of\u00edcios e costumes eclesi\u00e1sticos (KEENER, 2022, p. 74-77). Devemos ouvi-los com respeito, mas n\u00e3o como atalhos m\u00e1gicos para Lucas.<br \/>\u00c9 nesse campo que a chamada Nova Profecia, associada a Montano, Priscila e Maximila, torna-se um estudo de caso indispens\u00e1vel. N\u00e3o se trata de transformar o montanismo em \u201cpentecostalismo antigo\u201d, o que seria anacr\u00f4nico. Trata-se de perceber que, ali, profecia, \u00eaxtase, autoridade e ordem eclesial entraram em disputa. O montanismo revela uma recep\u00e7\u00e3o poss\u00edvel do universo carism\u00e1tico crist\u00e3o: uma comunidade emocional na qual a fala inspirada, a urg\u00eancia escatol\u00f3gica e o corpo tomado pela profecia eram valorizados como sinais da presen\u00e7a do Esp\u00edrito. A pergunta n\u00e3o era apenas se o Esp\u00edrito falava, mas quem podia falar em nome dele, sob quais crit\u00e9rios e dentro de qual comunh\u00e3o (TREVETT, 1996; TABBERNEE, 2007).<br \/>Os usos de Atos 2.4 passaram ainda por outro filtro: a cultura moral da Antiguidade Tardia, per\u00edodo situado, de modo aproximado, entre os s\u00e9culos II e VII, marcado pela transi\u00e7\u00e3o do mundo romano cl\u00e1ssico para novas formas crist\u00e3s, imperiais e mon\u00e1sticas de organiza\u00e7\u00e3o social. Muitos crist\u00e3os letrados dialogaram com ideais greco-romanos de sobriedade, autodom\u00ednio e disciplina das paix\u00f5es. A sophrosyne \u2014 virtude de modera\u00e7\u00e3o, equil\u00edbrio e dom\u00ednio de si \u2014 funcionava como uma esp\u00e9cie de filtro de recep\u00e7\u00e3o para experi\u00eancias religiosas p\u00fablicas e corporais. O corpo que fala em l\u00ednguas, profetiza ou se mostra afetado pelo Esp\u00edrito podia desafiar o ideal cl\u00e1ssico de autocontrole.<br \/>Em minha pesquisa sobre o deserto nas ep\u00edstolas de S\u00e3o Jer\u00f4nimo, observei que a moral estoica, especialmente em sua recep\u00e7\u00e3o romana, ajudou a formar uma sensibilidade marcada pela vigil\u00e2ncia do corpo e dos afetos. Essa moral, apropriada por intelectuais crist\u00e3os e pela espiritualidade asc\u00e9tica, n\u00e3o eliminou a f\u00e9 no Esp\u00edrito, mas contribuiu para que experi\u00eancias religiosas p\u00fablicas, intensas e corporais fossem avaliadas \u00e0 luz da ordem, da sobriedade e do discernimento (LEITE, 2021). Aqui, a categoria de \u201ccomunidades emocionais\u201d, de Barbara Rosenwein, ajuda: diferentes grupos crist\u00e3os n\u00e3o apenas discordavam sobre doutrina; eles tamb\u00e9m cultivavam modos distintos de sentir, aprovar, temer ou disciplinar o entusiasmo espiritual.<br \/>J\u00e1 na cristandade medieval, s\u00e9culos depois, Atos 2.4 permaneceu vivo sobretudo na liturgia de Pentecostes. Jacques Le Goff lembra que o ano lit\u00fargico inseria a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o no calend\u00e1rio vivido pelos crist\u00e3os: depois da P\u00e1scoa e da Ascens\u00e3o, Pentecostes celebrava o momento em que os disc\u00edpulos recebiam o Esp\u00edrito de Cristo (LE GOFF, 2006). O texto era ouvido, cantado e visualizado. As l\u00ednguas de fogo povoavam imagens; a pomba do Esp\u00edrito ganhou enorme for\u00e7a simb\u00f3lica; hinos como Veni Creator Spiritus e Veni Sancte Spiritus transformaram a doutrina em s\u00faplica cantada. Aqui, Atos 2.4 n\u00e3o funcionava como roteiro ordin\u00e1rio para que todos falassem em l\u00ednguas, mas como mem\u00f3ria lit\u00fargica: o Esp\u00edrito que fundou a Igreja continuava sendo invocado como luz, consolo, ardor, cura e renova\u00e7\u00e3o.<br \/>A recep\u00e7\u00e3o medieval tamb\u00e9m mostra como os s\u00edmbolos do Esp\u00edrito podiam escapar do culto e alcan\u00e7ar a pol\u00edtica. Le Goff observa que a pomba do Esp\u00edrito, capaz de trazer ao cotidiano \u201ca asa do sagrado\u201d, foi mobilizada inclusive no imagin\u00e1rio do batismo de Cl\u00f3vis \u2014 tradicionalmente situado em 496, embora a data seja discutida \u2014 e da sacraliza\u00e7\u00e3o da monarquia francesa (LE GOFF, 2006). Assim, o sopro de Pentecostes n\u00e3o ficou preso ao cen\u00e1culo: foi \u00e0 liturgia, \u00e0 arte, \u00e0 pol\u00edtica e \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o r\u00e9gia. A hist\u00f3ria \u00e9 santa, mas os homens nem sempre s\u00e3o discretos no uso que fazem do sagrado.<br \/>Na Reforma, Atos 2.4 foi frequentemente lido como evento apost\u00f3lico singular. Jo\u00e3o Calvino (1509\u20131564), ao comentar Atos, entendeu as l\u00ednguas como sinal extraordin\u00e1rio concedido para a propaga\u00e7\u00e3o inicial do Evangelho entre as na\u00e7\u00f5es (CALVINO, 2005). Em muitas tradi\u00e7\u00f5es protestantes, os sinais extraordin\u00e1rios serviam para autenticar a prega\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica no per\u00edodo inaugural da Igreja. A leitura cessacionista, embora n\u00e3o seja a \u00fanica no protestantismo, deslocou a for\u00e7a experiencial do texto para o passado. O vers\u00edculo permanecia verdadeiro; apenas parecia menos perigoso quando guardado no \u201cmuseu\u201d da era apost\u00f3lica.<br \/>Uma virada sens\u00edvel come\u00e7ou nos avivamentos modernos. Entre metodistas, movimentos de santidade e grupos avivalistas, cresceu a expectativa por uma experi\u00eancia mais profunda com Deus, posterior \u00e0 convers\u00e3o. A linguagem de santifica\u00e7\u00e3o, segunda b\u00ean\u00e7\u00e3o, revestimento de poder e batismo no Esp\u00edrito criou um ambiente no qual Atos voltou a ser lido n\u00e3o apenas como mem\u00f3ria, mas como possibilidade real. As comunidades crist\u00e3s atualizavam aquelas experi\u00eancias e se viam novamente no cen\u00e1culo, buscando o revestimento de poder.<br \/>Foi, contudo, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX que Atos 2.4 recebeu sua centralidade mais caracter\u00edstica. No pentecostalismo cl\u00e1ssico, especialmente a partir das experi\u00eancias associadas a Charles Fox Parham (1873\u20131929), William J. Seymour (1870\u20131922) e ao avivamento da Rua Azusa, o texto passou a ser lido como paradigma do batismo no Esp\u00edrito Santo. O falar em l\u00ednguas foi interpretado como evid\u00eancia f\u00edsica inicial dessa experi\u00eancia, n\u00e3o como energia emocional, mas como sinal b\u00edblico de revestimento espiritual. Os primeiros relatos pentecostais falavam da restaura\u00e7\u00e3o do \u201cantigo Pentecostes\u201d; a experi\u00eancia de Atos deixava de ser apenas lembran\u00e7a e passava a ser expectativa orada, buscada e narrada.<br \/>Os pentecostais, herdeiros dessa tradi\u00e7\u00e3o, reconhecem que a experi\u00eancia dos primeiros crist\u00e3os com o Esp\u00edrito Santo em Atos 2.4 n\u00e3o \u00e9 essencialmente diferente da experi\u00eancia dispon\u00edvel \u00e0 Igreja na atualidade (MENZIES, 2002). Nas diferentes formas de pentecostalismo, o texto ensinou comunidades simples a buscar o poder do alto e a compreender que Deus n\u00e3o ficou preso ao passado apost\u00f3lico. A Declara\u00e7\u00e3o de f\u00e9 das Assembleias de Deus afirma que o batismo no Esp\u00edrito Santo \u00e9 revestimento de poder prometido aos salvos e acompanhado da evid\u00eancia f\u00edsica inicial do falar em outras l\u00ednguas, conforme o Esp\u00edrito concede (ASSEMBLEIA DE DEUS, 2016).<br \/>A hist\u00f3ria da recep\u00e7\u00e3o de Atos 2.4 mostra que o texto nunca desapareceu da mem\u00f3ria crist\u00e3; ele mudou de fun\u00e7\u00e3o. Na Antiguidade, permaneceu ligado \u00e0 miss\u00e3o universal e \u00e0 mem\u00f3ria dos carismas. Na cristandade medieval, foi ouvido, cantado, pintado e celebrado como mem\u00f3ria lit\u00fargica de Pentecostes. Na Reforma, em muitos ambientes, foi recolocado no passado apost\u00f3lico. Nos avivamentos modernos, voltou a ser lido como possibilidade. No pentecostalismo cl\u00e1ssico, tornou-se expectativa, experi\u00eancia, evid\u00eancia e identidade.<br \/>A recep\u00e7\u00e3o pentecostal, portanto, n\u00e3o inventou Atos 2.4; recuperou e reativou uma mem\u00f3ria antiga da Igreja: a convic\u00e7\u00e3o de que o Esp\u00edrito Santo continua capacitando corpos, vozes e comunidades para a miss\u00e3o. Leu esse texto com fervor, mas n\u00e3o sem Escritura; com l\u00e1grimas, l\u00ednguas e ora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m com a certeza de que toda experi\u00eancia precisa permanecer submetida ao senhorio de Cristo e \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o da Igreja.<br \/>Atos 2.4 come\u00e7ou como experi\u00eancia viva, tornou-se liturgia, passou muitas vezes pelo museu da era apost\u00f3lica e, nas periferias do mundo moderno, voltou a ser l\u00edngua de fogo. Talvez esteja a\u00ed sua for\u00e7a: lembrar \u00e0 Igreja que o Esp\u00edrito n\u00e3o \u00e9 ornamento teol\u00f3gico, nem patrim\u00f4nio de uma \u00e9poca encerrada. Ele \u00e9 presen\u00e7a viva, promessa em movimento e sopro divino que ainda transforma espera em miss\u00e3o.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e56c529 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"e56c529\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-cb7abf6 elementor-widget elementor-widget-link-in-bio\" data-id=\"cb7abf6\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"link-in-bio.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"e-link-in-bio e-link-in-bio has-border is-full-width\">\n\t\t\t<div class=\"e-link-in-bio__content\">\n\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"e-link-in-bio__identity\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"e-link-in-bio__identity-image e-link-in-bio__identity-image-profile has-style-circle\">\n\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"300\" src=\"https:\/\/raizespentecostais.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Eduardo-Leite-e1790871927879-300x300.jpg\" class=\"e-link-in-bio__identity-image-element\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/raizespentecostais.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Eduardo-Leite-e1790871927879-300x300.jpg 300w, https:\/\/raizespentecostais.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Eduardo-Leite-e1790871927879-150x150.jpg 150w, https:\/\/raizespentecostais.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Eduardo-Leite-e1790871927879.jpg 450w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-link-in-bio__bio\">\n\t\t\t\t<h2 class=\"e-link-in-bio__heading\">Pr. Eduardo Leite<\/h2>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p class=\"e-link-in-bio__description\">Dr. Hist\u00f3ria do Cristianismo, Escritor e Palestrante.\n<\/p>\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-link-in-bio__icons has-size-large\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"e-link-in-bio__icon is-size-large\">\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/eduardoleite.prof\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener \" aria-label=\"Instagram\" class=\"e-link-in-bio__icon-link\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"e-link-in-bio__icon-svg\">\n\t\t\t\t\t\t\t<svg aria-hidden=\"true\" class=\"e-font-icon-svg e-fab-instagram\" viewBox=\"0 0 448 512\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\"><path d=\"M224.1 141c-63.6 0-114.9 51.3-114.9 114.9s51.3 114.9 114.9 114.9S339 319.5 339 255.9 287.7 141 224.1 141zm0 189.6c-41.1 0-74.7-33.5-74.7-74.7s33.5-74.7 74.7-74.7 74.7 33.5 74.7 74.7-33.6 74.7-74.7 74.7zm146.4-194.3c0 14.9-12 26.8-26.8 26.8-14.9 0-26.8-12-26.8-26.8s12-26.8 26.8-26.8 26.8 12 26.8 26.8zm76.1 27.2c-1.7-35.9-9.9-67.7-36.2-93.9-26.2-26.2-58-34.4-93.9-36.2-37-2.1-147.9-2.1-184.9 0-35.8 1.7-67.6 9.9-93.9 36.1s-34.4 58-36.2 93.9c-2.1 37-2.1 147.9 0 184.9 1.7 35.9 9.9 67.7 36.2 93.9s58 34.4 93.9 36.2c37 2.1 147.9 2.1 184.9 0 35.9-1.7 67.7-9.9 93.9-36.2 26.2-26.2 34.4-58 36.2-93.9 2.1-37 2.1-147.8 0-184.8zM398.8 388c-7.8 19.6-22.9 34.7-42.6 42.6-29.5 11.7-99.5 9-132.1 9s-102.7 2.6-132.1-9c-19.6-7.8-34.7-22.9-42.6-42.6-11.7-29.5-9-99.5-9-132.1s-2.6-102.7 9-132.1c7.8-19.6 22.9-34.7 42.6-42.6 29.5-11.7 99.5-9 132.1-9s102.7-2.6 132.1 9c19.6 7.8 34.7 22.9 42.6 42.6 11.7 29.5 9 99.5 9 132.1s2.7 102.7-9 132.1z\"><\/path><\/svg>\t\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\n\t\t<div class=\"e-link-in-bio__ctas has-type-button\">\n\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/raizespentecostais.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener \" class=\"e-link-in-bio__cta is-type-button has-corners-rounded\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span class=\"e-link-in-bio__cta-text\">\n\t\t\t\t\t\tIn\u00edcio\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t<div class=\"e-link-in-bio__bg\">\n\t\t\t\t<div class=\"e-link-in-bio__bg-overlay\"><\/div>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Compreenda a trajet\u00f3ria hist\u00f3rica e teol\u00f3gica de Atos 2.4. 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